quinta-feira, 4 de junho de 2015

Pilar - Por Experiência Própria




Nasci em meados de Março, num domingo. Se o que me contam é verdade – gosto de acreditar que sim – a chuva não parou durante toda a semana mas, no domingo tirou uma folga e lá deixou que o sol brilhasse. Foi então nesse belo dia que eu nasci. Quando pergunto sobre a fascinante história da escolha do meu nome, dizem-me que no Natal ainda não estava escolhido – foi feita uma votação em família, mas mesmo assim nenhum nome agradou verdadeiramente aos meus pais. O que mais interessava saber – de onde surgiu Pilar – não me sabem dizer. A minha mãe tinha uma amiga com esse nome, mas decerto teria outras com outros nomes e eu não fiquei com nenhum desses. Por isso acho que ainda não obtive a resposta que queria. 

Adiante, nome escolhidíssimo, será Pilar. Não. Maria Pilar, porque Maria é aquele clássico intemporal e tradicional que vai bem com tudo e a criança sempre pode optar entre um e outro. Maria Pilar acabou por ser aceite, mas não sem muita batalha no cartório. 

A senhora teimava que Maria Pilar não dava, que tinha de ser Maria do Pilar – credo. Os meus pais, que não tinham mais nenhum nome como recurso (nunca pensaram que fosse preciso), entraram um bocado em parafusos, porque já todos me conheciam por Pilar. Eu já era a Pilar. Acabou por correr tudo bem, Maria Pilar fiquei e assim sou até hoje. Mas só ultimamente é que me identifico como tal.

Quando era pequena não gostava de Pilar. Nem era por não haver mais nenhuma – sempre gostei de ser única – mas sim porque faziam piadas do género “Diz o teu nome sem o R”, coisas à criança. Chegou um dia que me ocorreu a melhor resposta para essa “pergunta”: dizer o meu nome sem o “R”. Então sempre que me pediam para dizer o meu nome sem o R, eu dizia: Maía Pilá Monteio de Faía Soáes Neto. Até me dava gozo dizer aquilo assim, sentia que estava a falar espanhol ou outra língua que não o meu português. Ao fim de várias semanas a dar-lhes a mesma cómica resposta, acabaram por se cansar – justamente quando eu finalmente achava piada à brincadeira. 

Já um pouco mais velha, comecei a adorar Pilar, nunca conheci nenhuma. Soube da existência de uma, mas nunca no meu círculo de convivência. Havia agora outro problema: não gostava de Maria. Havia muitas. E como era o primeiro nome, muitas vezes era “a Maria Neto”. Detestava, e ainda hoje mordo o lábio quando me chamam assim. O que é crescer sem traumas? E eu tive alguns. Maria Neto era um deles. 

Finalmente, durante as minhas pesquisas sobre onomástica, comecei a dar valor ao nome Maria, ainda mais valor ao nome Pilar, e apaixonei-me pelo composto Maria Pilar. Tradicional + incomum, é como eu me vejo. Sou tradicional em algumas coisas, mas sempre que possível gosto de ser diferente, e orgulho-me disso. 

Hoje, se me perguntarem se gostava de mudar de nome, eu digo com toda a certeza que não. Se me perguntarem se sofri muito com Pilar, eu também digo que não. Aliás, agradeço sinceramente tudo o que passei por causa do meu nome. Seja pelas piadas referentes ao órgão genital masculino ou aos suportes arquitectónicos – muito úteis, por sinal – eu não mudava o meu nome. Cresci com ele, faz parte da minha identidade. Aliás, cresci com ele, não é só assim. Ele ajudou-me a crescer. Hoje sou uma grande defensora de nomes incomuns, raros. Muita gente não gosta porque acha que vai traumatizar a criança, só pelo facto de ser pouco usado. Acho que, no que toca a possíveis piadas de mau gosto, não há pior do que Pilar. Uma menina ser comparada a um pilinhas não é muito agradável, mas sobrevivi, estou bem e adoro o meu nome (nunca mais ouvi piadas dessas, porque as pessoas crescem, ganham maturidade etc). Hoje apoio outros nomes incomuns. Porquê? Porque sei que não é o fim do mundo. Porque se eu própria sobrevivi a isso, acho que qualquer pessoa e nome sobrevive. E porque quem quer gozar com alguma coisa, arranja facilmente motivos. Se não for o nome, é o formato do nariz ou a cor do cabelo. Mas isso tudo passa. Com alguma dose de coragem e bom senso, é possível ter nomes raros e bonitos. Sim, raros e bonitos. Vão-se habituando a estas duas palavrinhas na mesma construção frásica. 

Com a descoberta de tantos e tantos nomes que nunca tinha ouvido, a minha mente foi-se abrindo e acostumando ao que há uns anos seria impensável. Nomeadamente, sou capaz de vos dizer o que penso do nome Pilar. Sim sim, querem ver? Então eu digo-vos. A primeira coisa que adoro em Pilar é ser pouco usado. Já devem saber que a popularidade me mete nervos, por isso todo o nome que fuja dos tops ganha logo dois beijinhos meus. A segunda coisa que adoro em Pilar é a sua terminação particular e nada usual nos nomes que se ouvem. Pilar é, de facto, o nome mais usado com esta terminação que eu acho tão bonita. E não digo isto por me chamar Pilar. Outros nomes que gosto acabados em –ar: Guiomar, Quar e Tamar para menina, e Baltasar, César, Edgar, Gaspar, Mar, Omar e Óscar para menino (Mar é considerado masculino, por isso só é aprovado como 2º nome feminino). A terceira coisa que adoro em Pilar é ser o nome de personalidades como a Pilar del Río (mulher de José Saramago), a Pilar Rubio, repórter e apresentadora espanhola, e recentemente a filha da Diana Chaves e do César Peixoto (não posso dizer que esteja contente com a escolha, porque não quero nada que Pilar se torne muito usado). 

Se hoje me dissessem o que diziam há muitos anos, “Diz o teu nome sem o R”, eu diria que isso não é possível, porque para mim Pilar não tem só um R, tem dois: romântico e rebelde. Também é como me vejo. Para além disso é muito usado e bem visto em Espanha, o que me agrada bastante.

Maria Pilar Monteiro.

E vocês, o que pensam de Pilar?

10 comentários:

  1. Pilar é lindo, maravilhoso, perfeito.
    Maria Pilar então, desde que "conheci" virtualmente essa pessoa linda, passou a ser um dos meus compostos favoritos de Maria.
    Porém, não sugiro a ninguém. Pilar é muito ciumenta com seu nome hehehehehe

    ResponderEliminar
  2. Texto maravilhoso, adorei :)

    ResponderEliminar
  3. Também acho lindo e único! E o composto Maria Pilar também fica muito elegante, acho que o Maria da mais classe a Pilar até.

    ResponderEliminar
  4. O seu post está bárbaro! Parabéns! O seu nome é lindo em si, e conhecê-lo, pela pessoa tão querida que é, só ajuda a reforçar essa estima!

    ResponderEliminar
  5. Pilar é um nome lindo, forte, raro, tem brilho! Junto com Maria forma um composto super hamônico, diferenciado e muito chique!
    Parabéns pelo texto, está ótimo! :)

    ResponderEliminar
  6. Queria fazer um comentário à altura do texto mas isso é mesmo impossível! Está tão genial, tão genial, tão genial que até "mete nervos"!
    Pilar é um nome lindo principalmente por me soar tanto ao meu querido espanhol. Também adoro as terminações em -ar, principalmente em Gaspar e Maria do Mar :)
    Ao mesmo tempo romântico, ao mesmo tempo rebelde, é sem dúvida um nome forte, com presença e que não passa despercebido onde quer que seja dito ;)

    Não me lembro de ter conhecido nenhuma Pilar ao longo dos meus 21 aninhos mas tive uma professora no secundário que esteve de licença de maternidade e que teve um menino, mas contou-nos que se tivesse sido menina tê-la-ia chamado Pilar (enquanto toda a gente fez caretas ao nome, eu dei saltinhos de alegria no lugar e sussurrei à minha colega "Que fofinho!"), ela já tinha uma filha chamada Constança, por isso em vez de ficar Constança & Pilar, ficou Constança & André (o nome do pai).
    Isto tudo para dizer que a maioria parece que tem os ouvidos sensíveis a nomes originais e possivelmente não os dariam a um filho por ser, na cabeça deles, de mais difícil aceitação, o que a meu ver representa o medo deles próprios não serem aceites.

    ResponderEliminar
  7. Lindo texto! Maria Pilar é um composto perfeito.

    ResponderEliminar
  8. Só hoje consegui ver esta publicação e quem me dera já a ter lido antes porque está simplesmente maravilhosa! :) Apaixonei-me por Pilar há dois anos atrás quando conheci uma bebé com esse nome, muito amorosa, por sinal. Mais recentemente, conheci virtualmente a Maria Pilar, autora desta fantástica publicação, e fiquei ainda mais rendida a este nome. :)

    ResponderEliminar
  9. acho Pilar bastante original, ótimo texto!

    ResponderEliminar
  10. Quanto ao texto : excelente
    Quanto ao nome: detesto

    ResponderEliminar