sexta-feira, 1 de abril de 2016

Falcão


Começamos o mês com um nome diferente e inspirador. Vejo-o como um nome imponente e grandioso. Trata-se, obviamente, de um nome literal e tem uma vibração muito próxima às correntes hippies, ainda que o veja mais como um nome místico.

Falcão. Como a ave de rapina. Sim, é possível colocar Falcão como nome próprio, ainda que o mais comum seja encontrá-lo como apelido/sobrenome. A lei portuguesa prevê o uso deste nome como segundo elemento de um composto, o que significa que não poderia ser registado um menino chamado unicamente Falcão e que também não poderia ser registado um Falcão Martim ou Falcão Vicente. O inverso, pelo contrário, é permitido: Martim Falcão/Vicente Falcão.

Ao procurar nas bases de dados referentes aos registos de anos e séculos passados foi possível constatar que Falcão é extremamente raro de se encontrar como nome próprio. Em todos os registos que consultei, encontrei apenas um Duarte Falcão registado no ano de 2013 em Portugal, e outro Duarte Falcão registado em 2014 (que coincidência, hein?)! E ainda que não existam restrições no uso de nomes no Brasil parece haver, mais uma vez, o acordo tácito de que Falcão é mais aconselhável para uso como segundo nome, pelo que está patente nos registos de São Paulo em 2015: 45 crianças registadas nestes moldes. Cito então 10 desses compostos: Pedro Falcão (3), Lorena Falcão (3), Enzo Falcão (2), Eduardo Falcão (2), Samuel Falcão (2), Carolina Falcão, Isabela Falcão, Luara Falcão, Heitor Falcão ou Melissa Falcão, por exemplo.

Acredito que este nome dá um brilho muito interessante aos compostos e apesar de ser um nome que facilmente se atribuiria ao género masculino, nada impede de nomear uma menina com este nome (ex: Ana Falcão, Inês Falcão). Se estiverem interessados em utilizar este nome têm um leque muito grande de possibilidades de combinação, pelo que vos desejo muita criatividade nesse desafio! Os meus compostos favoritos com este nome seriam Luís Falcão e Lia Falcão (os sons do L ajudam a suavizar a força do segundo nome), mas podia apontar muitos outros compostos porque realmente é um nome que flui mesmo bem junto de outros.

Como apelido/sobrenome, Falcão disseminou-se em Portugal e Brasil (e em muitos outros países do mundo), quer por via nobre através da família de Mosem João Falconet, um nobre inglês que terá chegado a Portugal com a corte de D. Filipa de Lencastre, que viria a ser Rainha de Portugal através do casamento com D. João I; quer por via popular, sendo vulgarmente atribuído àqueles que teriam alguma ligação ao animal (ex: falcoeiros). A falcoaria é uma arte antiquíssima em Portugal e no mundo que, muito basicamente, consiste na arte do treino e caça com falcões, muito apreciada na época medieval e da qual ainda sobrevivem hoje vários objetos e registos que permitem compreender as utilidades e dinâmicas desta arte e reproduzi-la, por exemplo, nas muitas feiras medievais que se realizam um pouco por todo o território português nos dias de hoje! É quase como um regresso ao passado, o que atribui ao nome uma vibração muito antiga, intrigante, mística e misteriosa!

E é precisamente sobre a mística do animal (não tanto do nome em si) que nos fala Cristina Paulo (2010), responsável pelo Blog Energia Vital, num artigo muito curioso e interessante sobre o poder e a energia de cada animal (o artigo pode ser lido na íntegra aqui). A autora defende que “o Falcão sempre desempenhou um papel importante na mitologia de várias civilizações”, explicando que na Mitologia Nórdica estaria associado a Freya e à feitiçaria por ser dotado de dois poderes extraordinários: o voo e a visão, podendo, por isso, ser associado à conexão do divino com o Homem. Também para os Antigos Egípcios era associado ao Sol, sendo considerado uma personificação do Deus-Sol e dando origem à representação de Hórus, como elemento transcendental capaz de realizar a ligação entre os dois mundos existentes, o Céu e a Terra.

E diretamente da História Antiga para a História Moderna, foi durante o período do Estado Novo, em Portugal, que foi criado o primeiro super-herói português: o Capitão Falcão! Compreendo que neste momento a referência possa não ser a mais agradável e feliz, mas no seu tempo encheu o imaginário dos pequenos portugueses, que vibravam com as aventuras do Capitão e do Puto Perdiz!

Acredito que este seja um nome muito ousado e que não conste na lista de muitas pessoas. Ainda assim, reconheço-lhe a beleza e recomendo-o, se procurar um nome inusitado com ligação à Natureza!

Qual a vossa opinião de Falcão como nome próprio?


Fontes Consultadas:
ARPEN/SP, AATT Benzi Sobrenomes, Capitão Falcão, Energia Vital (Falcão - Animal de Poder), Forebears, Heraldry’s Institute, IRN, Museu do Oriente (A Arte da Falcoaria de Oriente a Ocidente) e SPIE.

4 comentários:

  1. Adorei o post! Adoro conhecer os simbolismos que envolvem os nomes ligados à natureza e os de Falcão são muito ricos! Acho que esse é um nome que fica muito bem em compostos, confere muita força e presença.

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  2. Acho que é uma boa opção para segundo elemento de compostos.

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